Consórcio: por que pobre deveria passar longe?

Por

Eduardo Ribeiro

Resumo

Dinheiro na mão para comprar à vista é complicado. O financiamento tem juros assustadores. Então, o consórcio parece ser a saída, mas será que é mesmo?

Todo mundo quer conquistar o carro, a moto… mas a grana para pagar à vista não chega, e os juros do financiamento te assustam. É aí que o consórcio aparece como uma solução mágica.

Só que ele tem um problema: a imprevisibilidade. Você pode ser contemplado em um mês, ou ter que esperar anos, enquanto seu dinheiro fica “preso” e perde poder de compra.

Vamos ver por que, em muitos casos, o consórcio é o pior dos dois mundos.

Pagamento à vista — previsibilidade e desconto

Pagar à vista é bem mais difícil porque, logicamente, exige capital acumulado e acumular capital exige tempo e disciplina.

Entretanto, há benefícios que precisam serem levados em consideração. O mais impactante sem dúvidas é no financeiro, quem paga à vista costuma conseguir de 5% a 15% de desconto, dependendo do bem e da negociação e também pela previsibilidade.

Ora, se você sabe o valor do bem e quanto pode guardar por mês, você pode presumir com uma certa precisão em quanto tempo terá o dinheiro suficiente.

Financiamento — imediatismo e custo

Já no financiamento o oposto ocorre ao paragrafo anterior, sem espera, sem disciplina, sem planejamento…

Em pouco tempo, desde que aprovado, você consegue o que tanto deseja. Em pouco tempo, desde que aprovado, você assina seu contrato de escravidão ao seu banco preferido, trocando um bem material em troca de um pedaço de sua alma.

Já pensou em quantas horas terá que trabalhar para pagar o juros que te acorrentarão? Quanto tempo de vida será desperdiçado para por dinheiro na mão de outra pessoa?

Você consegue imediatamente o que quer, mas a pressa cobrará o devido valor (os juros variam entre 12% a mais de 25% ao ano, dependendo de como está a taxa Selic).

Sei que fui um tanto agressivo no ponto em questão, também sei que para alguém que está realmente precisando , por exemplo, de um carro/moto para trabalhar seja como Uber ou por morar longe do emprego e não tem o dinheiro para o pagamento à vista , financiamento não é uma opção, mas a única alternativa para trazer o sustento para sua casa.

Mas se você está considerando um consórcio, que não te entrega previsibilidade nenhuma de quando será contemplado, definitivamente esse não é seu caso.

Consórcio – o pior dos casos

Agora, chagamos ao bode expiatório, o consórcio.

Antes de mais nada, um breve resumo sobre o que se trata: pessoas se juntar para realizar a compra de um bem, por exemplo um carro. Todas juntam seu dinheiro em um fundo em comum conseguindo assim o montante suficiente para comprar o carro, mas claro não vai ter carro para todas.

Então, todo mês é feito um sorteio para ver qual dos integrantes será contemplado, isso é, receberá o bem. Lances também podem ser ofertados funcionando como uma especie de leilão, aquele que dar mais leva.

Dito isso, surge o primeiro infortúnio: a imprevisibilidade. Todos tem a mesma chance de serem sorteados, logo quanto mais no início estiver menor suas chances (já que mais pessoas ainda não foram contempladas).

Mas como mencionado, há a possibilidade de que um individuo faça um aporte maior que a parcela combinada – o lance – aumentando assim a própria sorte, consequentemente reduzindo a sua.

Nesse ponto não difere muito do pagamento à vista, vence aquele que tiver “bala na agulha”.

O segundo ponto negativo é em relação ao custo, menor que o financiamento, mas maior que o pagamento à vista, uma vez que haverá taxas de administração cobradas pela empresa que ficará responsável pelo consórcio.

Considerações finais

Ao fim desse artigo, deixo bem explicita minha visão sobre o assunto.

Pegue o pior do pagamento à vista, junte ao pior do financiamento e pronto, surge o consórcio.

Os argumentos que circulam aqueles que insistem nessa modalidade são geralmente dois: a falta de responsabilidade financeira disfarçada pela justificativa de que não se consegue guardar dinheiro e a fé – que o brasileiro pobre tem de sobra – de que será contemplado rapidamente.

Como dito, suas chances aumentam conforme mais pessoas são contempladas, ou seja, com o passar do tempo.

Dificilmente será contemplado nos primeiros meses causando apenas uma ansiedade desnecessária mês a mês. E o valor será maior devido as taxas que serão cobradas.

Não consegue ver dinheiro sobrando sem gastar? Uma sugestão: faça a simulação do consórcio que planeja contratar, também faça uma conta em outro banco, algum que tenha rendimento sem aplicação manual ( como Nubank, PicPay, Mercado Pago…) e ao invés de mandar esse dinheiro para outra pessoa, pague a si próprio.

Não abra o aplicativo constantemente, apenas gere a chave PIX e transfira dinheiro para você mesmo rendendo juros.

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